Um dia, em meados de 2002, recebi um telefonema da minha amiga Maria de Lurdes S. Paiva – que trabalha na livraria Chaminé da Mota –, que me informou que tinha um exemplar de O Génio português na sua expressão filosófica, poética e religiosa [Porto, Renascença Portuguesa, 1913] assinado por Teixeira de Pascoaes. Fiquei muito entusiasmado. Uma hora depois, com o livro na mão, pude ler a seguinte dedicatória: "Ao jovem e querido poeta Guilherme de Faria, lembrança de Teixeira de Pascoaes". Na última página podia ler-se: "Nota: Pascoaes ofereceu-me este livro em 19 de Março de 1924. G. de F."

Quem seria Guilherme de Faria? Já em casa, no exemplar da História da Literatura Portuguesa que me acompanha desde o ensino secundário, Óscar Lopes esclarece-me: o malogrado poeta Guilherme de Faria nasceu em 1907 e morreu em 1928 [só mais tarde saberia que o Guilherme morreu no dia 4 de Janeiro de 1929]; acrescenta: "poeta de um passadismo nocturno, elegíaco e doce que só se realiza em diálogo com a morte e que, formalmente, conjuga ainda ressaibos da velha lírica da medida velha cortês com um à-vontade e uma fluência rítmicas mais modernas". Considerei interessante. Arrumei o livro. Não podia imaginar as consequências desta descoberta ocasional.

Sempre que regresso ao alfarrabista Chaminé da Mota, no n.º 29 da Rua das Flores, no Porto, reencontro a Lurdes; falamos de poetas e de livros, e do dia em que Guilherme de Faria, na caligrafia de Teixeira Pascoaes, começou o difícil caminho de regresso à História da Literatura Portuguesa.

Quem seria Guilherme de Faria? Já em casa, no exemplar da História da Literatura Portuguesa que me acompanha desde o ensino secundário, Óscar Lopes esclarece-me: o malogrado poeta Guilherme de Faria nasceu em 1907 e morreu em 1928 [só mais tarde saberia que o Guilherme morreu no dia 4 de Janeiro de 1929]; acrescenta: "poeta de um passadismo nocturno, elegíaco e doce que só se realiza em diálogo com a morte e que, formalmente, conjuga ainda ressaibos da velha lírica da medida velha cortês com um à-vontade e uma fluência rítmicas mais modernas". Considerei interessante. Arrumei o livro. Não podia imaginar as consequências desta descoberta ocasional.

Sempre que regresso ao alfarrabista Chaminé da Mota, no n.º 29 da Rua das Flores, no Porto, reencontro a Lurdes; falamos de poetas e de livros, e do dia em que Guilherme de Faria, na caligrafia de Teixeira Pascoaes, começou o difícil caminho de regresso à História da Literatura Portuguesa.


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